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terça-feira, 1 de novembro de 2011

LIBERTAÇÃO


               "Fala-se em libertação, mas não é fácil defini-la como algo bom ou mau. De acordo com a idéia geral, libertar-se significa sair de um estado de confusão e obter Iluminação, desapegar-se, ou ter desprendimento. Expressão muito usada no budismo, soa como fuga ou isolamento, e é um conceito característico dos orientais.
                Em termos de prática cotidiana, há uma redução da atividade material à medida que aumenta a Iluminação. Isto é, perde-se o espírito de competição e os países entram em decadência. Exemplo disso é a Índia.
                Geralmente, o homem tem entusiasmo pela vida graças à ilusão, mas o excesso de ilusões é perigoso. A resignação enfraquece o ritmo das atividades, mas a falta de resignação também gera tragédias, principalmente quando se trata do relacionamento amoroso. Portanto, a renúncia total é pouco aconselhável, porque elimina o sabor da vida. A pessoa se torna solitária, vive como se fosse um corpo sem alma.
                Refletindo sobre o que acabamos de expor, logo percebemos que todo exagero é prejudicial. É bom ter noção de limites. Este mundo é realmente difícil e interessante; doloroso e agradável. Mal podemos distinguir as fronteiras da alegria e do sofrimento.
                Creio que o homem deve se desapegar no momento adequado, e insistir quando o caso merece ser levado adiante. Quando procura forçar a situação, a pessoa fica indecisa, e esta indecisão mostra que ainda não é o momento propício e que é preciso esperar o tempo certo, de acordo com o tempo, circunstância e nível. O fundamental é saber ceder às circunstâncias, descobrindo os meios mais convenientes de agir. Isso exige Inteligência Superior. Ela é que gera a capacidade de correto discernimento, a qual aumenta na medida em que diminuem as máculas do espírito.
                O essencial, portanto, é eliminar as máculas espirituais, o que requer sinceridade. E a sinceridade nasce da fé. Aquele que aceitar e praticar este princípio, será considerado homem íntegro."

Meishu Sama
25 de janeiro de 1951.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

PARAÍSO: UM MUNDO DE BELEZA

O objetivo de Deus é a criação de um mundo ideal, pleno Verdade, Virtude e Beleza. O objetivo das forças demoníacas, ao contrário, é a falsidade, a maldade e a feiura. Falsidade e maldade são conceitos amplamente conhecidos, mas a fealdade requer explicação.
No mundo, há muitas coisas que induzem ao engano. Quando a fealdade, por exemplo, acompanha a verdade e a virtude, isto tende, freqüentemente, a suscitar admiração. Desde a antiguidade, muitas pessoas virtuosas, que se devotaram ao mundo e aos seus semelhantes, levaram um nível de vida extremamente simples, alimentando-se mal e morando em choupanas. Evidentemente, quando se é forçado pelas circunstâncias, não há outra alternativa. Mas não creio que seja muito recomendável optar por esse tipo de vida, quando não há necessidade. Muitos religiosos levaram uma vida de abstinência pensando tratar-se de um excelente meio de ascese e foram por isto olhadas com respeito e admiração. Na realidade, porém, tal maneira de pensar não é certa. Porque onde há Verdade, Virtude e fealdade, negligencia-se a importância da Beleza.
As nossas roupas, alimentos e a nossa moradia devem ser tão belos quanto o permitam as nossas possibilidades, pois isto está de acordo com a vontade de Deus. Em primeiro lugar, a Beleza não apraz somente a nós mesmos, pois também alegra os olhos dos outros. Portanto, pode-se dizer que é uma espécie de virtude.
Quanto mais alto o nível de uma civilização, mais ela cultiva o senso de Beleza. Pensem na vida dos bárbaros, que quase não tem Beleza. Assim, pode-se dizer que o progresso de uma cultura corresponde, em parte, ao progresso de senso de Beleza.
Tanto os homens como as mulheres devem cuidar adequadamente de sua aparência pessoal, a fim de serem aprazíveis aos outros. As mulheres, nem se fala: devem procurar tornar-se sempre belas.
No lar, deve haver ordem e limpeza. Poeira e teias de aranha devem ser cuidadosamente limpas e todos os objetos ou móveis que estejam fora de lugar devem ser imediatamente arrumados, para que a desordem não ofenda a vista. Assim, não somente a família, mas também os que a visitarem, sentirão bem-estar e respeitarão o dono da casa. Também a parte externa da residência deve ser mantida em bom estado de conservação e limpeza, sem que isto implique, necessariamente, reformas dispendiosas. Assim, além de proporcionar prazer a quem passa, contribui-se para a política nacional de turismo. A Suíça recebe muitos turistas, porque a limpeza e a conservação de suas cidades e parques encantam os visitantes.
O senso do Belo e dos valores estéticos devem ser cultivados por todos. Assim, não só os indivíduos, mas também a sociedade e a Nação receberão boa influência. Embelezando o ambiente, os pensamentos do homem que vive em sociedade também se tornam mais belos. Consequentemente, diminuem os crimes e atos abomináveis. Assim, o culto de Beleza poderá ter como efeito o reino dos Céus na Terra.
Desde minha meninice, fui um amante da beleza. Mesmo nos tempos em que eu era pobre, costumava cultivar canteiros de flores, desenhava ou pintava nos meus momentos de folga e, sempre que podia, visitava museus e exposições. Na primavera, eu me deleitava com as floradas e, no outono, com as folhagens avermelhadas. Hoje, com a graça de Deus, disponho de recursos para apreciar a Beleza como melhor me apraz. E isto ajuda a tarefa divina.
Pessoas de fora que desconhecem esse ponto, às vezes acham que eu levo uma vida luxuosa. E estranham especialmente quando comparam a minha vida com a dos fundadores de antigas religiões, que difundiam os seus ensinamentos praticando o ascetismo e sofrendo privações. Em verdade, aqueles foram os tempos do Mundo da Noite, quando as religiões difundiam a fé num estado infernal. Mas hoje que estamos ingressando no Mundo do Dia, podemos efetuar a tarefa de salvação vivendo num mundo celestial. É preciso meditar profundamente sobre este ponto.

Meishu Sama